{"id":160,"date":"2016-06-08T16:26:27","date_gmt":"2016-06-08T16:26:27","guid":{"rendered":"https:\/\/wrongbits.wordpress.com\/?p=50"},"modified":"2016-06-08T16:26:27","modified_gmt":"2016-06-08T16:26:27","slug":"uma-carta-ao-meu-eu-de-18-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/mechamorafa.com\/blog\/2016\/06\/uma-carta-ao-meu-eu-de-18-anos\/","title":{"rendered":"Uma carta ao meu eu de 18 anos"},"content":{"rendered":"<p>Fazer dezoito anos \u00e9 um momento m\u00e1gico na vida de qualquer um. N\u00e3o adianta negar, voc\u00ea espera por esse dia desde o dia em que entende as consequ\u00eancias positivas que essa idade pode te trazer. \u00c9 um momento de transi\u00e7\u00e3o onde voc\u00ea se imagina na faculdade, indo \u00e0 festas com seus amigos, dirigindo o carro dos seus pais ou, quem sabe, com o seu pr\u00f3prio carro gra\u00e7as ao trabalho que voc\u00ea provavelmente ter\u00e1. Voc\u00ea idealiza namoros com pessoas que nem existem e sequer ir\u00e1 conhecer algum dia, mas isso n\u00e3o importa. N\u00e3o minta, voc\u00ea fez isso.<!--more--><\/p>\n<p>Essa pode n\u00e3o ser a realidade de todos, mas a maioria com certeza pensou nisso.<\/p>\n<p>Mas da\u00ed a idade chega e tudo o que voc\u00ea tem \u00e9 um balde cheio de questionamentos e inseguran\u00e7as. Voc\u00ea tenta tomar as melhores decis\u00f5es, mas parece que quando voc\u00ea assina o contrato da maioridade, na troca voc\u00ea entrega o c\u00e9rebro. \u00c9 tanta burrada que eu n\u00e3o consigo sequer quantificar. In\u00fameras vezes me pego pensando nas coisas que deveria ter feito, nas coisas que deixei de fazer por pregui\u00e7a e nas coisas que, definitivamente, eu n\u00e3o deveria ter feito. Mas a vida \u00e9 assim, n\u00e3o se pode ganhar sempre.<\/p>\n<p>Cheguei aos 18 h\u00e1 7 anos, foi uma longa jornada de dificuldades e aprendizados at\u00e9 aqui. Mas o que mais me incomoda, e d\u00f3i, \u00e9 olhar para tr\u00e1s e ver os amigos que o tempo levou. Os amigos que comigo chegaram at\u00e9 a parte chata da vida em que voc\u00ea precisa decidir o que vai fazer. Onde a responsabilidade pesa mais do que a divers\u00e3o outrora pretendida. E assim cada um toma um rumo diferente. A frequ\u00eancia dos encontros come\u00e7a a diminuir at\u00e9 que, um por um, deixa de estar l\u00e1. Junto.<\/p>\n<p>N\u00e3o nego que ter dezoito anos tem seus lucros mas, \u00e0s vezes, voc\u00ea vai se encontrar pesando as coisas em uma balan\u00e7a nada proporcional, onde o tempo sempre \u00e9 a menor medida.<\/p>\n<p>E \u00e9 isso que eu estou tentando contar para o meu eu de dezoito anos, apavorado, sem saber o que quer ser da vida e o que vai estudar. Que demorou para tomar uma decis\u00e3o e sofre com as consequ\u00eancias disso at\u00e9 hoje. Aquele eu que era completamente dependente da pr\u00f3pria m\u00e3e e mal sabia fritar um ovo.<\/p>\n<p>O tempo n\u00e3o perdoa. Se existisse camadas de tempo e dimens\u00f5es onde o meu eu de dezoito anos ainda vive, eu s\u00f3 queria lhe dizer isso:<\/p>\n<p>N\u00e3o deixe a rotina te matar. N\u00e3o deixe de fazer as coisas que quer por n\u00e3o &#8220;ter tempo&#8221;. Use o rel\u00f3gio ao seu favor. Esprema at\u00e9 o \u00faltimo segundo, almoce mais r\u00e1pido para ter tempo de ir visitar a sua av\u00f3, mesmo que seja por 20 minutos. Durma mais tarde se tiver que ficar estudando. Acorde mais cedo se tiver compromisso. Passe na casa do seu av\u00f4 a caminho da faculdade. Jamais tenha pregui\u00e7a, eu sei que \u00e9 dif\u00edcil, mas ela devora a sua vida lentamente. Finalize seus projetos. N\u00e3o deixe de ver os seus amigos. Trabalho nenhum da faculdade vale a sua aus\u00eancia. Trabalho remunerado nenhum vale a sua felicidade. V\u00e1. Sem medo.<\/p>\n<p>Porque eu, meu amigo, sei o que vem depois e esse arrependimento \u00e9 pra sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fazer dezoito anos \u00e9 um momento m\u00e1gico na vida de qualquer um. 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